Antes de mais nada, é fato que uma das maiores dificuldades para aqueles que estão começando a entender a gramática é entender os verbos, a classificação dos verbos e seu entendimento como um todo. Na verdade, até mesmo candidatos a vagas de estágio, que em sua maioria já possuem ensino médio concluído possuem dificuldades em entender gramática e, portanto, classificar verbos e os conjugar devidamente.

Pelo menos é isso que estimou a pesquisa realizada em 2018 pela Companhia de Estágios. Em suma, mais de 5000 candidatos de estados de diferentes regiões do Brasil participaram. Por fim, infere-se que a grande dificuldade encontra-se também entre a classificação dos verbos.

Enfim, os verbos se classificam entre a classe de palavras que inferem ações, fenômenos naturais, estado e/ou mudança de estado. Outro aspecto pertinente é o fato de que essa é a classe com maior flexibilidade dentro do português. E essa informação já pode servir de premissa para entender a grande dificuldade dos brasileiros de compreender a classificação dos verbos.

Antes de mais nada, é importante pontuar que os verbos possuem uma grande variabilidade e, portanto, uma grande diferença entre cada um: singular ou plural; primeira, segunda ou terceira pessoa;  indicativo, subjuntivo e imperativo; presente, passado ou futuro; voz ativa, passiva ou reflexiva; perfectivo, imperfectivo, inceptivo, cursivo, terminativo, pontual, durativo, contínuo, descontínuo.

Em suma, eles podem ser regulares ou irregulares. Além disso, existem as variabilidades anômalas, os verbos defectivos e os abundantes. Assim como também há os pronominais, auxiliares, de ligação e significativos. De qualquer forma, para que os leitores aprendam mais sobre os verbos, a classificação dos verbos e conheçam um pouco mais sobre cada um desses elementos da língua portuguesa, confira abaixo um texto repleto de informações sobre os verbos e entenda melhor para deslanchar no aprendizado da língua portuguesa.

Verbos Regulares

Primeiramente, os verbos regulares são todos aqueles em que a flexão não implica numa mudança direta nos radicais. Ou seja, são os verbos em que não é possível notar nenhuma alteração na terminação dos mesmos. Esses podem ter três terminações diferentes:

  • Primeira conjugação: são aqueles que terminam com o sufixo -ar
  • Segunda conjugação: são aqueles que terminam com o sufixo  -er
  • Terceira conjugação: são aqueles que terminam com o sufixo -ir

E para exemplificar melhor a questão ligada a imutabilidade dos radicais nos verbos regulares, eis aqui um exemplo: o verbo amar. Esse pode ser conjugado em diferentes tempos verbais, bem como aplicado a qualquer pessoa, que ainda assim não é possível notar nenhuma mudança em seu radical ( – am).

Geralmente, a regularidade de um verbo é algo iminente e, portanto, não tem como fruto, na mente daqueles que estão em processo de aprendizagem, a confusão. Até porque é bem clara a diferença entre regular e irregular, como pode-se conferir abaixo.

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Verbos Irregulares

Verbos irregulares são todos aqueles que têm seus radicais ou terminações modificados ao serem flexionados. Ao contrário do que são os verbos regulares, esses podem ser um tanto quanto difíceis de encontrar a classificação dos verbos justamente pela variabilidade dos radicais. Entretanto, uma vez que esses são compreendidos, assim como a maneira certa de flexioná-los, o entendimento fica claro, e a conjugação deixa de ser tão tortuosa para os aprendizes de gramática da língua portuguesa.

Antes de mais nada, a classificação dos verbos irregulares está entre os que sofrem mudança no radical e aqueles que sofrem mudanças nas terminações. Aqui estão alguns exemplos de verbos irregulares com alterações em suas terminações:

  • “dar”
  • “estar”
  • “fazer”

E assim como os que têm suas terminações alteradas, há também aqueles que possuem mudanças nos radicais. Tais como:

  • “medir”
  • “ouvir”
  • “trazer”

Em suma, a principal característica desse tipo de verbo é não seguir nenhum tipo de padronização. Portanto, é por isso que se chamam irregulares. Justamente pela irregularidade dos mesmos.

Verbos Anômalos

Primeiramente, para entender do que se tratam os verbos anômalos é preciso compreender que esses são os verbos que quando flexionados, ou seja, retirados do infinitivo, são verbos que sofrem severas modificações em sua estrutura. Em suma, são os verbos que sofrem grandes alterações em seus radicais primários ao sofrerem alguma flexão. Um dos exemplos mais comuns e de maior uso na língua portuguesa para verbos anômalos são “ir” e “ser”.

Por exemplo, verbo ir flexionado no presente: vou, vais, vai, vamos, ides, vão. Assim como é possível notar, esse verbo sofre severas alterações em sua estrutura. É possível que o motivo para isso seja uma grande dúvida na mente de jovens aprendizes. Mas a verdade é que isso deriva de questões semânticas e sintáticas que podem estar muito além da compreensão de professores do ensino básico.

Na verdade, esse tipo de questão é um tanto quanto complexa de se responder e demanda uma explicação bem detalhada e robusta. Por isso, na maioria dos colégios não há uma explicação para a origem e a justificativa de anomalias verbais. De qualquer forma, a identificação desses verbos é algo simples. Afinal, na língua portuguesa existem apenas esses dois: ir e ser.

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Verbos Defectivos

Os verbos defectivos possuem um “comportamento” muito particular entre os verbos no geral. Antes de mais nada, eles são nomeados dessa maneira porque são verbos “defeituosos” em vista aos demais verbos. É claro, isso não significa que são verbos sem utilidade. Mas sim que são verbos que possuem uma limitação no que tange suas flexões. Dessa forma, esses verbos possuem subdivisões diferentes. São elas:

  • A classe dos verbos impessoais
  • Classe dos verbos pessoais 
  • E os verbos unipessoais.

Os verbos impessoais são aqueles que ficam conjugados na terceira pessoais. Além desses, aqueles que indicam impessoalidade (ações da natureza) podem ser considerados impessoais também. No geral, seu entendimento é fácil e totalmente tangível mesmo para aqueles que estão tendo um primeiro contato com essa classe de verbos.

Já os verbos defectivos de características pessoais são aqueles que possuem flexões incompletas. Ou seja, que não podem ser conjugados em diferentes pessoas. Por fim, a classe dos verbos unipessoais são aqueles que podem ser conjugados na 3ª pessoa do singular, bem como no plural. 

A seguir estão alguns exemplos de cada um dos tipos de verbos defectivos para que o entendimento seja melhor para os leitores:

  • Verbo impessoal: Haver
  • Verbo pessoal: Colorir
  • Unipessoal: Latir

Antes de falar sobre o próximo tipo de verbos, vale lembrar que todos os sons reproduzidos por animais são verbos defectivos e unipessoais.

Verbos Abundantes

A característica principal dos verbos abundantes está no fato de que esses se encontram nos verbos flexionados no particípio, assim como em conjugações nominais. Em suma, essa categoria de verbos se encontra numa espécie de “particípio duplo”.

Aliás, essas são as duas possibilidades corretas dentro da norma culta. Esses variam entre regulares e irregulares. Portanto, não há um padrão bem estabelecido. De qualquer forma, não são difíceis de identificar. Alguns dos melhores exemplos de verbos abundantes estão a seguir abaixo:

Esses são apenas alguns dos exemplos de verbos abundantes presentes dentro da língua portuguesa. Antes de mais nada, vale frisar que o termo “abundante” é aplicado justamente pelo fato de que esses possuem mais de uma variação aceita pela norma culta.

Verbos de Ligação

Primeiramente, é preciso dizer que os verbos de ligação apresentam uma importante função linguística:eles fazem a junção entre sujeito e suas características. Visto isso é possível inferir que esses não são o núcleo do predicado das frases, justamente por não indicarem ação.

Alguns exemplos de verbos de ligação são:

  • Ficar
  • Permanecer
  • Viver
  • Continuar
  • Estar
  • Ser

Para exemplificar o fato de um verbo de ligação não ser o predicado de uma frase, aqui está um exemplo que infere essa ideia: “ A multidão é toda irreconhecível”. Nessa frase, nota-se que “ a multidão” é o sujeito, enquanto “irreconhecível” é o adjetivo e “é” ( verbo ser) é o verbo de ligação.

Alguns outros exemplos:

  • “Pedro é professor de redação”
  • “João é um ótimo jornalista”
  • “Milena é redatora freelancer”
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Verbos Significativos

Agora que já foram abordados diversos tipos de verbos, está na hora de abordar uma das classes mais importantes: os verbos significativos. Esses são responsáveis por indicar ação, ou seja, são verbos que não exigem um objeto direto ou indireto para ter senso. Por fim, é isso que os caracteriza como verbos intransitivos. Para aqueles que não sabem o que é um verbo intransitivo, esses são os verbos que possuem um sentido por si só, que não demandam nenhum complemento para dar sentido a uma frase. Além disso, outro aspecto importante sobre os verbos significativos está no fato de que esses podem ser tanto diretos quanto indiretos.

Alguns exemplos dos verbos significativos são:

  • Morrer
  • Viver
  • Andar
  • Saber
  • Necessitar
  • Comunicar
  • Agradecer

Em suma, os verbos significativos são facilmente reconhecíveis. Esses se encontram presentes em diferentes formas de classificação dos verbos, como é o caso de morrer, que também pode ser um verbo abundante.

Pronominais

Os verbos pronominais são dependentes de pronomes. Em específico dos pronomes oblíquos átonos, ou seja, aqueles que vêm após um verbo. São esses: “te”, “se”, “me”, “nos”, “vos”. E é justamente por esse fato que quando os mesmos são flexionados passam a ser pronominais reflexivos, bem como recíprocos. Em suma, a nomenclatura da classificação dos verbos pronominais é autoexplicativa: são verbos ligados a pronomes.

Alguns dos exemplos que se pode dar aqui são:

  • Ligar-se
  • Pentear-se
  • Suicidar-se
  • Lembrar-se

Assim como uma grande diversidade de outros verbos possíveis que ao serem ligados a pronomes passam a ser pronominais. Qualquer verbo pode se tornar pronominal e ter um pronome consigo. Isso é uma questão de conjugação do verbo.

Auxiliares

Tempos compostos, voz passiva e locuções verbais é onde se aplicam os verbos auxiliares em conjunto as formas nominais dos verbos.Neste artigo sobre verbos essa categoria de verbo já foi usado diversas vezes.

Em suma, esse tipo de verbo não possui um sentido próprio e, portanto, depende de outros verbos para integrar uma frase que faça sentido. Mas, afinal, o que isso infere?

Nada mais nada menos do que o próprio nome dessa categoria de verbos quer dizer: eles auxiliam outro verbo a dar sentido em uma frase. Sendo assim, esses apresentam desinência verbal. O que significa que estão numa frase justamente para indicar tempo, modo, pessoa, etc.

Alguns exemplos de verbos auxiliares são:

  • Haver
  • Ter
  • Estar
  • Ser

Nota-se outra vez que esses podem estar em outras categorias classificativas dos verbos. Por isso, ao deparar com um exercício de análise sintática é muito importante observar como o verbo interage com os outros elementos da frase em questão para saber identificá-los devidamente. Em suma, o “macete” é observar se esses estão auxiliando um outro verbo a dar sentido a frase, assim como foi dito anteriormente. Caso esteja, é um verbo auxiliar. Caso contrário, não é.

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Principais

Os verbos principais são todos independentes. Esses conseguem integrar sentido a uma frase por si só. Portanto, não há demanda de outros verbos os auxiliando para que os mesmos façam sentido. 

Geralmente, sentenças que possuem verbos principais são fáceis de identificar. Talvez até uma das mais simples. Por exemplo:

  • “Eu estudei muito gramática.”
  • “Você foi o amor da minha vida.”
  • “Gosto tanto de você, Leãozinho”

Enfim, como é possível notar os verbos principais são facilmente identificáveis. Mas não se pode confundir o fato de ser um verbo principal com a impossibilidade do mesmo ser uma locução verbal. Os verbos principais podem sim ser uma locução verbal. Portanto, é importante lembrar disso na hora de conjugar uma sentença na prova de gramática.

Qual a importância dos verbos para a língua portuguesa?

Assim como a grande parte das línguas, os verbos apresentam uma grande funcionalidade para a construção de sentenças e, consequentemente, para a comunicação. Esses apresentam a função de determinar acontecimentos com os quais as outras palavras que integram a sentença tendem a se relacionar.

Sem os verbos é impossível indicar ação. Não à toa os verbos são considerados por muitos estudiosos da língua portuguesa a classe de maior relevância e, portanto, a mais importante de ser estudada.

As formas do verbo

Os verbos podem variar entre tempo, pessoa, modo e número. Esse é um ponto crucial para o entendimento de como esses funcionam e, consequentemente, de como falar e escrever de acordo com as normas da língua portuguesa.

Quando se fala em número e pessoa, infere-se que o verbo está sujeito a alterações de acordo com a mudança de cada um dessas formas. Por exemplo:

Verbo contarSingularPlural
1ª pessoa (aquele que conta)eu contonós contamos 
2ª pessoa ( aquele com quem se conta)tu contasvós contais 
3ª pessoa (aquele de quem se conta)ele contaeles contam

A partir dessa tabela é possível inferir que um verbo está sujeito a alterações de acordo com a necessidade de pessoa e número e suas variâncias. É necessário que seja dessa forma para que haja concordância verbal e, portanto, estar dentro da norma culta da língua portuguesa.

Além de número e pessoa, o verbo pode variar de acordo com tempo e modo. Os modos são simples de serem compreendidos: indicativo, subjuntivo e imperativo. Cada um possui características e apresentam funções cruciais para o sentido de uma sentença. 

Enquanto o modo indicativo apresenta seis tempos verbais possíveis, o modo subjuntivo possui expresso em sua maioria o tempo pretérito. Mas isso não significa que futuro e presente não estejam integrados na lista temporal de verbos subjuntivos. Isso apenas infere que é algo menos usual. Inclusive é algo presente em falas informais. Por fim, mas não menos importante: os verbos no imperativo. Enquanto isso, os verbos no imperativo indicam ordem. Podem ser classificados em todos os tempos verbais, assim como os demais. Além disso, o imperativo pode ser tanto negativo quanto positivo.

As vozes e o verbo

Basicamente, uma frase pode estar em diferentes de vozes: passiva, ativa e ativo-passiva. E isso implica na maneira que um verbo é flexionado, mas não afeta o efeito da frase. Primeiramente, a voz ativa é aquela que descreve uma ação de forma direta; enquanto a passiva é aquela que descreve uma ação de forma indireta; a ativo-passiva é aquela em que o sujeito da oração recebe a ação mas este não é o sujeito real. Geralmente, nesse caso o sujeito é indeterminado.  Ou seja, impossível de ser identificado numa sentença. Além disso, a voz passiva pode ser subdividida em passiva analítica e passiva sintética. 

Conclusão

Enfim, por meio deste artigo foi possível explanar um pouco mais sobre a classificação dos verbos, esses que são uma das classes mais importantes dentro da gramática portuguesa. Sendo assim, é de suma importância que haja um entendimento da gramática para uma melhor comunicação, escrita e, claro, a prática da língua portuguesa como um todo.

Apesar de parecer algo complexo, o estudo da língua portuguesa é algo que pode ser extremamente fascinante. Para muitos, o português é uma das línguas mais complexas de entendimento. Seja por suas grandes variações linguísticas, diferentes formas de flexionar os verbos ou por demais fatores.

Mas a verdade é que seu entendimento demanda esforço, assim como para qualquer outra língua. Ademais, nós da equipe da Visão Confiável queremos desejar a você bons estudos sobre classificação dos verbos.

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