O FGC é um importante incentivo para os investidores, uma vez que oferece muito mais segurança de que realmente será possível recuperar o capital investido e também o rendimento esperado.

Ele é o grande responsável por dar estabilidade e confiança aos investidores, que conseguem atuar de uma forma mais eficiente. Assim, na hora de procurar uma instituição financeira e realizar um investimento, é fundamental verificar se ele está coberto pelo fundo garantidor de crédito.

Vejamos então o que efetivamente é esse fundo garantidor de crédito, como ele funciona, quais investimentos ele cobre, quais instituições fazem parte, e muito mais.

O que é FGC Fundo de Garantia de crédito?

Investir no Brasil, seja renda fixa, variável ou outra opção, não é algo tão frequente na vida dos brasileiros, embora esteja se alterando cada vez mais essa característica. Afinal, ao contrário de outras culturas, não é algo que está tão enraizado, e que sempre enfrentou desconfianças.

Deve-se levar em conta, para isso, questões como a desvalorização da moeda, inflação alta, e até mesmo confisco, que, infelizmente, já aconteceu no país. De certo modo, o investidor brasileiro tende a ser mais conservador. E, mesmo dentro desse conservadorismo, ainda é preciso que se encontre segurança para o seu capital.

Um dos principais pontos para a melhoria e a qualidade dos investimentos no país foi a criação do Fundo Garantidor de Crédito, também chamado apenas de FGC. O FGC foi um fundo criado no ano de 1995, tendo surgido da própria iniciativa privada, justamente para proteger os investimentos dentro da renda fixa.

Esse Fundo Garantidor de Crédito atua como um ponto de proteção do capital do investidor, sendo uma entidade sem fins lucrativos e também privada, que não possui nenhuma ligação com o governo. Quando se fala em FGC, porém, não deve-se pensar apenas em fundo com dinheiro em si, mas sim como uma entidade completa, que atua em diversas partes dessa proteção ao investidor.

Ele é alimentado basicamente pelas próprias instituições bancárias, que devem depositar uma quantia mensal, equivalente a 0,0125% do que foi movimentado dentro da área referente. Com isso, caso aconteça algum problema e a instituição não possa arcar com o que foi estabelecido, entra em ação o FGC.

Dessa forma, o investidor consegue ter segurança de que seu capital de investimento está realmente protegido. Percebe-se então, que esse é um apoio não apenas ao investidor em si, mas também à própria instituição financeira.

Para que serve o FGC?

Após entender o que é o Fundo Garantidor de Crédito, já foi possível compreender também sua função em si. A verdade é que a grande utilidade do FGC é justamente a proteção que ele oferece aos investimentos. Assim, o investidor consegue ter a segurança de que seu capital investido não será perdido, quando algo externo acontecer.

É uma forma realmente bastante eficaz de proporcionar segurança ao processo e também de chamar a atenção dos investidores. Desde que o investimento esteja coberto pelo FGC, tanto o capital inicial quanto os seus devidos ganhos, relativos aos juros, possuem a segurança total de recebimento.

A poupança, por exemplo, que é algo particular de cada instituição bancária, também coberto pelo FGC, é um investimento totalmente seguro. E através do FGC, outros ativos, que pertencem a renda fixa, tornam-se tão seguros quanto ela. A grande diferença entre esses casos é que, embora seguro, a rentabilidade da poupança é baixa, ao contrário de outros ativos da renda fixa.

Apenas para deixar claro, a renda fixa parte de regras de remuneração, onde o investidor sabe como são os cálculos e o que poderá ganhar nesse processo. Em outras palavras, é um investimento com renda fixa, com valores de remuneração e taxas de juros já estabelecidos.

O que o FGC cobre?

Quando se fala em FGC é preciso pensar que ele é um fundo voltado para a renda fixa e outros ramos. Contudo, mesmo dentro desse tipo de investimento, sua abrangência não é total, nem mesmo ocorre de uma forma ilimitada.

Há regras e condições que devem ser seguidas, para que o funcionamento do fundo ocorra de forma natural, e consiga se manter estável, sem estourar seu crédito. Dessa forma, dentro da renda fixa, esses são alguns investimentos garantidos pelo FGC: LCI, LCA, LH, CDB, LC, dentre outras aplicações.

A poupança e os pagamentos feitos à vista dentro das instituições participantes, também são cobertos pelo FGC, bem como outras variações. Para que fique mais claro, vejamos melhor sobre os investimentos de renda fixa cobertos:

LCI – Letras de Crédito Imobiliário

As Letras de Crédito Imobiliário, ou simplesmente LCI, são um tipo de investimento de renda fixa que estão em alta. De uma forma geral, elas são voltadas para o setor imobiliário, como o próprio nome permite compreender. E em termos práticos, são empréstimos feitos para as instituições financeiras, por isso a rentabilidade é bem mais significativa.

Claro, por ser uma renda fixa, as taxas e datas do investimento são pré-fixadas, onde o investidor tem plena noção de tudo o que acontece. Contudo, um dos principais pontos que o LCI possui, além de sua rentabilidade e segurança, devido a cobertura do FGC, é a isenção do Imposto de Renda (IR).

LCA – Letras de Crédito do Agronegócio

Similarmente ao LCI, o LCA também é um empréstimo feito para as instituições financeiras, mas agora voltado para o setor do agronegócio. As Letras de Crédito do Agronegócio, ou apenas LCA, é outro investimento de renda fixa, que também conta com a cobertura do FGC e com a isenção do Imposto de Renda. Os termos da aplicação, como rentabilidade e datas também são similares ao LCI, onde tudo já é pré-definido.

LH – Letra Hipotecária

A Letra Hipotecária, comumente chamada de LH, é novamente um investimento ligado ao setor imobiliário. Sendo pertencente à renda fixa, é também coberto pelo FGC, tendo segurança novamente a isenção de Imposto de Renda, ao menos para pessoas físicas. Há aqui uma relação de empréstimo duplo, onde os investidores emprestam aos bancos, que por sua vez emprestam para os seus clientes.

CDB – Certificado de Depósito Bancário

De todos os investimentos de renda fixa, é indiscutível que o CDB, que é o Certificado de Depósito Bancário, é o mais conhecido. Diferentemente dos demais, ele pode não ser voltado para investimentos bancários em si, como imobiliários ou agronegócios.

Essa é apenas uma forma que os bancos possuem de captar uma grande quantidade de dinheiro, que utilizam para diversas aplicações, como, por exemplo, pagar suas dívidas. É, então, uma forma inversa da relação mais comum entre bancos e clientes, com um empréstimo seguindo o fluxo contrário.

Em troca desse empréstimo, a instituição oferece uma rentabilidade, relativa aos juros. Em termos práticos, é um investimento comum, seguro, por ser coberto pelo FGC, mas que possui a desvantagem de ter o Imposto de Renda, que é cobrado no resgate do valor investido.

LC – Letra de Câmbio

Todas as opções anteriores são voltadas para investimentos bancários. No entanto, as Letras de Câmbio, não tem relação com os bancos em si, mas sim com as financeiras, como são popularmente conhecidas as Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimentos, ou SCFI.

Elas não são bancos, mas sim outras instituições privadas, voltadas para financiamentos e empréstimos. Então, elas também possuem como uma forma de captar uma boa quantidade de dinheiro, os próprios empréstimos feitos pelos investidores. Os investidores emprestam esse capital, as financeiras investem ou emprestam para terceiros, e devolvem uma boa rentabilidade por isso.

Por não serem bancos, e serem menos procuradas, sua rentabilidade é até maior, e por serem cobertas pelo FGC sua segurança também é mantida. Assim como o CDB, a desvantagem do LC é novamente o desconto do Imposto de Renda.

FGC limite

Obviamente, embora o FGC seja uma proteção importante para os investidores, infelizmente, essa proteção não é correspondente a um número ilimitado de capital. Cada investidor ao investir dentro das aplicações cobertas pelo FGC já consegue saber exatamente quanto do seu capital está protegido.

De uma forma geral, o teto do capital coberto pelo fundo é de R$ 250.000 por banco, o que é uma quantia significativamente alta. Assim, cada titular da conta, seja CPF ou CNPJ, tem direito a receber até esse valor de cada banco, isso quando o investimento é individual.

Caso a instituição venha a falir, não conseguindo arcar com esses acordos, o FGC entra em ação, quitando as dívidas, respeitando esse teto para cada investidor individual, em sua conta unitária, com apenas ele como titular.

“fgc casal” Quanto o FGC garante?

É importante frisar essa questão de apenas um titular, porque no caso de contas conjuntas esse teto de garantia de 250 mil reais está relacionado à conta em si, e não ao número de pessoas. Assim, em uma conta com dois titulares, onde o valor que ela possui é superior a esse teto, só será garantido 250 mil para a conta em si, e não para cada titular.

Caso possuam 300 mil, o casal não receberá 150 mil, mas sim 125 mil reais cada, respeitando o teto da conta. Dessa forma, quanto mais titulares existirem, menor será o valor coberto para cada um, uma vez que os 250 mil serão divididos entre todos eles.

E, caso um mesmo investidor seja titular de várias contas conjuntas, o seu teto de 250 mil por CPF ou CNPJ também deverá ser respeitado. Assim, não importa em quantas contas conjuntas ele tem valores cobertos, seu teto continuará sendo de apenas 250 mil reais, tendo ainda uma limitação dentro de um período de cada quatro anos.

Novo teto de 1 milhão do FGC

Além desse teto destinado ao investidor em cada um dos bancos cobertos e que ele possui investimentos, há ainda outro ponto que deve ser levado em consideração. Tudo isso aconteceu no final de 2017, e alterou a forma como esse teto é observado ao longo do tempo.

Anteriormente, não importava quantas vezes um investidor era ressarcido pelo FGC, no entanto, as coisas mudaram a partir desse período. Isso porque, além desse teto por banco, começou a valer ainda um teto de 1 milhão de reais para cada período de quatro anos.

Dentro de 4 anos, um investidor não poderá receber valores do FGC que superem esse teto de 1 milhão. Essa questão começou a valer no dia 21 de dezembro de 2017, e só conta para investimentos posteriores a essa data.

Em termos práticos, se um investidor A recebe 200 mil reais do fundo, dentro dos próximos 4 anos, ele só poderá receber mais 800 mil. Superado esse teto, o FGC não cobre o capital desse investidor. Claro que isso se limita a apenas 4 anos, então, passados esse período, esse teto é restabelecido, independentemente de quanto ele tenha recebido.

fgc valor: como não ultrapassar o teto?

Até agora já foi possível entender a importância que o FGC possui, e esse é realmente um fato indiscutível. Contudo, é preciso entender alguns pontos relacionados a esse fundo, onde é preciso se ater aos seus detalhes. O primeiro ponto é justamente a incapacidade do FGC de honrar todos os compromissos de todos os seus associados.

Esse é um fato que não é escondido pelo fundo, sendo inclusive afirmado por ele em seus relatórios. Isso se deve ao simples fato de serem centenas de instituições participantes. Contudo, essa incapacidade diz respeito à pior das hipóteses, onde todas elas falissem ao mesmo tempo.

Obviamente que isso dificilmente aconteceria, o que acaba não tirando muito da segurança do fundo, mas deixa também uma necessidade de avaliar bem os bancos nos quais se deseja investir.

Ao se levar em consideração o teto do capital que é coberto, essa necessidade se torna ainda mais aparente. É preciso analisar as instituições antes de investir diretamente nelas, mesmo que sejam cobertas pelo fundo. Afinal, se elas demonstrarem instabilidade financeira ou outros fatores negativos, pode ser um mau indício para um investimento.

Confirmada a eficiência da instituição, deve-se levar em consideração ainda o teto que é coberto. Uma ideia bastante simples é limitar os investimentos, em cada instituição, a esse teto. No caso de uma pessoa que queira investir 400 mil reais, uma solução significativa seria investir um valor inferior ao teto na instituição A e o restante em uma B.

Considerando que o teto se refere ao valor total, até mesmo com o rendimento, o ideal seria dividir esse valor ao meio, deixando uma margem significativa para crescimento. O fundo conta ainda com alternativas para investidores maiores, que vale a pena conferir.

Como acionar o fgc

Quem ordena as instituições financeiras no Brasil é o Banco Central, que é a instituição responsável pelo gerenciamento de todos os bancos em geral. Dessa forma, assim como o BC regulamenta, ele também liquefaz os bancos, por meio de decreto, quando esses anunciam sua falência.

Nesses casos, o banco não tem mais condições de arcar com seus compromissos, vindo a falir completamente. O que estaria perdido, porém, é salvo pelo FGC, que entra em ação, desde que essa instituição seja coberta pelo fundo.

Após isso, o próprio BC nomeia o chamado liquidante, que irá fazer todo o levantamento relacionado aos investimentos feitos dentro do banco. Com todos os valores que cada investidor ou cliente deve receber, já em mãos, o próprio FGC deve escolher um banco que será responsável por repassar os valores.

O último passo é o próprio cliente se dirigir até o banco escolhido, levando a documentação necessária, e retirar seu dinheiro. Dessa forma, o FGC é um fundo muito bem organizado e gerenciado, não havendo a necessidade de acioná-lo.

Quando um banco é liquidado pelo Banco Central, o próprio liquidante escolhido se torna responsável por essas ações. O cliente nada precisa fazer, a não ser apenas acompanhar as movimentações do processo, e ficar atento, observando quando tudo será liberado.

Quais instituições participam do FGC?

Agora que já foi possível entender o que é o FGC e também qual sua importância na hora de se realizar um investimento, é hora de entender quais instituições financeiras fazem parte desse fundo. Afinal, de nada vale ter essa compreensão se poucas instituições forem cobertas pelo fundo.

Felizmente, não é essa a situação que se encontra. Isso porque  o FGC é mantido por diversas instituições financeiras, de diversos ramos. Algumas das instituições que são associadas ao FGC são os bancos de investimento, comerciais, múltiplos, de desenvolvimento, associações e sociedades de crédito, poupança e empréstimos, e a própria Caixa Econômica Federal.

Ao todo, segundo lista do próprio FGC, já são mais de 200 instituições participantes, dentre os quais estão as maiores financeiras do país, como:

  • Banco do Bradesco
  • Caixa Econômica Federal
  • Banco do Brasil
  • Itaú Unibanco
  • Banco Santander
  • Crefisa
  • Banco BMG
  • Banco BS2

Um fato interessante é que, embora seja uma instituição privada, o FGC é mantido por outras instituições diversas, sejam privadas, como o Bradesco, ou públicas como o Banco do Brasil.

No entanto, embora haja essa participação pública, esse fundo nada tem haver com o governo em si, sendo algo totalmente privativo. Vejamos melhor sobre algumas das instituições que fazem parte do fundo, e que possuem seus investimentos cobertos.

Nubank fgc

O Nubank, que é preciso primeiramente salientar que não é um banco em si, mas sim um instituição financeira de pagamentos digital, também conta com cobertura do FGC. Contudo, diferentemente de outras instituições, essa cobertura não ocorre de forma total, em todos os investimentos.

Normalmente, eles envolvem títulos públicos, que já oferecem uma segurança realmente absurda. A necessidade de participar do fundo veio somente quando ele começou a oferecer a opção de investir no RDB, que é o Recibo de Depósito Bancário.

Essa alternativa é bastante similar ao CDB, ou até mesmo ao LCI ou LCA, sendo um empréstimo para as instituições, e um investimento de renda fixa. Mas, assim como a Letra de Câmbio (LC), não está relacionado a bancos, mas sim a outros tipos de instituições de crédito e pagamentos. Com isso, a Nubank é sim coberta pelo FGC, já que é uma das associadas do fundo, mantendo essa limitação, é claro, ao RDB.

btg fgc

O BTG Pactual, que é um gigante banco de investimento aqui no Brasil e também na América Latina, é outra instituição coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito. Essa é mais uma instituição privada, que oferece diversas opções de investimentos, como no LCI, LCA e no CDB, que são de renda fixa.

Além disso, também contam com diversas outras opções, como o próprio Fundo de Investimentos, que é uma ótima alternativa aos investidores. Assim, por participar do FGC, seus investimentos de renda fixa são protegidos pelo fundo, dando ainda mais segurança ao banco.

banpara fgc

O Banpará, que é como é mais conhecido o Banco do Estado do Pará, é um banco múltiplo, onde o próprio governo do Pará é o acionista majoritário. É uma instituição bastante importante para o estado, e que também oferece diversas opções de investimentos, inclusive em renda fixa.

E para dar mais segurança aos investimentos, o Banpará também é um participante do BTG. Afinal, esse é um dos primeiros pontos para quem quer transmitir toda a seguridade necessária, e chamar a atenção dos investidores, sendo realmente um quesito indispensável.

Conclusão

O Fundo Garantidor de Crédito é um sistema indispensável para oferecer toda a segurança aos investimentos no Brasil. Sua necessidade pode ser observada simplesmente observando os outros exemplos ao redor do mundo.

Isso porque mais de 100 países contam com um sistema similar, tendo sido um exemplo copiado dos Estados Unidos da América. Se não fosse o FGC, mesmo investimentos seguros, como a renda fixa, seriam totalmente imprevisíveis.

Afinal, caso uma instituição não pudesse arcar com seus deveres, nada poderia ser feito, já que ela não teria de onde tirar o capital necessário. Com isso, esse é um incentivo bastante eficaz, que consegue realmente dar muito mais confiança para os investidores, mesmo os mais iniciantes.

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