Uma holding, embora seja um termo pouco conhecido dentro do mercado, e até mesmo pouco percebido, em alguns casos, tem uma importância significativa dentro da sociedade.

Isso porque, mesmo não sendo observadas a todo momento, são elas que efetivamente ditam as regras, são elas que comandam. Assim, boa parte das empresas e marcas conhecidas, não são independentes, mas sim pertencentes a outras empresas maiores, as chamadas empresas mãe ou holding.

O que é uma holding e como funciona?

Para entender o que é uma holding, o primeiro passo é compreender a formação dessa palavra. Como é possível perceber, ele é o gerúndio do verbo inglês “Hold”, que por sua vez significa “prender”, ou seja, prendendo, em sua tradução, devidamente conjugada.

Isso porque uma holding serve justamente, dentro do ambiente empresarial, para prender outras empresas sob o seu controle. É, desse modo, uma empresa controladora, que serve para gerenciar e comandar outro conglomerado de empresas.

A lei 6.404, publicada no dia 15 de dezembro do ano de 1976, que foi responsável por dispor sobre as chamadas Sociedades por Ações, que são as Sociedades Anônimas (S/A), foi justamente o que deu origem à holding.

Claro que ele não se limita apenas a empresas, tendo ainda outras aplicações em outras áreas, como até mesmo dentro de uma família, que pode criar uma holding para gerenciar o seu patrimônio.

Quando se pensa dentro desse setor empresarial, um ponto interessante que deve ser levado em consideração é que uma holding não produz nada, ela simplesmente faz o controle de suas subsidiárias, que são quem efetivamente produzem esses bens ou oferecem esses serviços.

Esse controle é possível por uma questão simples, onde essa empresa mãe é a sócia majoritária de outras empresas menores, ou seja, detém mais da metade de todas as suas ações, e com isso consegue dar o comando, o direcionamento, segundo seus objetivos.

A grande funcionalidade ao se criar uma holding é o alinhamento de todas as empresas subsidiárias, que passam a atuar seguindo o comando de uma principal. Contudo, os benefícios não se limitam apenas a essa característica, chegando até mesmo gerar uma menor quantidade de tributos a serem pagos. Depois, veremos mais sobre esses benefícios.

O que é uma empresa de holding?

Uma holding pode abranger diversos setores de uma sociedade. Como já mencionado, ela pode até mesmo estar associada à gestão do patrimônio familiar, que também é algo comum em famílias com um patrimônio muito grande, sendo preciso realmente um gerenciamento mais adequado, colhendo outros benefícios relacionados.

As formas mais conhecidas, porém, são realmente as empresas de holding voltadas para o gerenciamento de outras empresas, que no caso não se referem a patrimônios familiares em si, mas sim a algo muito mais abrangente, com o objetivo de se alavancar no mercado.

Mas, por que uma holding é uma empresa? Bem isso parte tanto de trâmites legais quanto em relação aos próprios benefícios que a formação dessa empresa acarreta. Normalmente uma holding é uma Sociedade Anônima (S/A), que são quando os sócios basicamente não se conhecem, podendo ser acionistas de diversos pontos do mundo que comandam os seus interesses.

No entanto, isso não significa que ela também não possa ser outro tipo de sociedade, como a limitada ou individual, embora seja menos frequente. De todo modo, as questões tributárias são também pontos muito importantes durante a formação dessa holding, embora o alinhamento dos objetivos seja realmente o que leva a criação desse tipo de empresa.

Isso parte do princípio de que várias empresas em isolado pagam muito mais taxas de imposto, do que uma única empresa que seja controladora dessas mesmas empresas. As tarifas que recaem sobre ela são bem menores. Para que seja possível entender de vez o que efetivamente é uma holding, exemplos são o melhor caminho. Então, vamos nessa!

O que é holding exemplo?

Após ter uma compreensão desse entendimento geral sobre o que é holding, para que serve, já é possível perceber as variações que ela também pode apresentar. Nos próximos tópicos explicaremos mais sobre essa questão.

A nível de exemplos, uma holding também varia em questões de tamanho, obviamente. Às vezes, um ponto interessante sobre isso é que elas aparecem camufladas, ou melhor, nem mesmo aparecem.

Como mencionado, elas não produzem nada efetivamente, apenas controlam outras marcas. Assim, o que realmente vemos são os produtos e serviços que chegam até o público. Contudo, por trás disso está quem realmente dá todas as cartadas.

Holding exemplos

Como o mercado brasileiro ainda é jovem, os principais exemplos de holdings não são naturais do nosso território. Na verdade, grande parte delas surgem de países como os Estados Unidos, que por serem a maior potência mundial, concentram também um maior número de empresas atuando.

Com isso, levando em consideração também o tamanho das empresas em si, as holdings que as controlam, quando elas existem, acabam se tornando realmente gigantescas. Quando se fala em gigantes do mercado, como Apple, Facebook, Amazon, Microsoft, todas elas são de origem norte-americana. De todo modo, dado essa introdução, vejamos alguns exemplos de gigantes holdings internacionais:

Meta

Uma holding bastante recente, surgida já no meio de 2021 é a Meta, ela conseguiu ganhar os holofotes por ter sido criada pelo Mark Zuckerberg para fazer o papel que o Facebook fazia com as outras empresas associadas, ou melhor as outras redes sociais.

Nesse caso em específico, além das utilidades já conhecidas dessa empresa mãe, entra também uma questão de marketing, por assim dizer, isso porque o Facebook (rede social) acabava ficando com toda a responsabilidade relacionada às outras empresas. Assim, com a criação da Meta, o Face passa a cumprir simplesmente aquilo para que ele foi criado para ser, uma rede social, que aliás é a maior de todo o mundo.

Toda essa responsabilidade agora é da Meta, que passa a gerenciar não apenas o Facebook, mas também outras redes sociais de destaque, como o Instagram e o Whatsapp, que também pertenciam ao Facebook, mas que agora estão lado a lado, sendo gerenciados pela Meta.

Fato interessante é que, embora tenha ganhado os holofotes, muita gente ainda se pergunta o que realmente é a meta, uma vez que a associam diretamente ao Facebook, como rede social. Na verdade, então, ela é uma holding que serve para controlar as empresas anteriormente ligadas diretamente ao Face.

Alphabet Inc

Quando se fala em holding, um bom exemplo para demonstrar sua essência principal é a Alphabet Inc, que é a empresa mãe do Google, criada pelo próprio, em 2015, para fazer o gerenciamento das diversas subsidiárias que a marca possui.

Assim, ao invés do Google gerenciar as outras empresas pertencentes ao grupo, ele criou outra holding, responsável pela gestão dele mesmo e de seus braços menores, como a DeepMind, Capital G, Waymo e muitas outras empresas.

Berkshire Hathaway

Uma das gigantes do mercado é a norte-americana Berkshire Hathaway, que é gigante tanto em tamanho quanto em tempo de atividade, sendo também uma das mais antigas que existem.

Em seus longos anos de atuação diversificou seus investimentos a diversas áreas, chegando ao ponto de participar de gigantes do mercado como Apple, Duracell, Kraft Heinz, American Express, e muitas outras.

Esse é um bom exemplo de uma empresa mãe, que, ao menos dentro do território brasileiro não chega tão forte com seu nome em si. Suas marcas, por outro lado, são bastante famosas e reconhecidas pelo público.

A grande verdade é que esse não é o objetivo de uma Holding. Claro que firmar seu nome como uma gigante, pode passar toda a credibilidade necessária, aumentando o padrão de uma marca gerenciada.

No entanto, não é exatamente isso que ela busca, mas sim colher os frutos de um gerenciamento direcionado para os mesmos objetivos, alinhados com o posicionamento da holding.

Holdings brasileiras

Claro, embora não sejam líderes mundiais em seus segmentos, o Brasil também abriga diversas holdings de destaque. Por ser um país também gigantesco, ter um grande reconhecimento no território nacional, ou até mesmo em algumas regiões, já é algo significativo.

Felizmente, dentro de um conceito geral, o Brasil não deixa a desejar quando o assunto são empresas mãe, feitas para gerenciar outras marcas. Basicamente todos os segmentos de bens e serviços contam com uma holding que consegue se destacar, e por serem brasileiras, acabam sendo também conhecidas em alguns casos.

Claro, ainda são as marcas gerenciadas que realmente chamam a atenção, mas a holding em si, também consegue aparecer mais para o público. Vejamos, então, alguns exemplos de holdings brasileiras:

Itaúsa 

A Itaúsa é uma holding brasileira que realmente chama a atenção por sua gigantesca atuação. É, sem dúvidas, uma das maiores holdings do país, sendo responsável por gerenciar nada menos do que o próprio Itaú Unibanco, que é um banco formado por outros doi bancos brasileiros, o Unibanco e o Itaú; mas também gerencia empresas como a Alpargatas, Duratex e a Copagaz.

J&F Investimentos

A J&F Investimentos é uma das maiores holdings do país, dona de outras gigantes empresas, e pertencentes aos mais variados investimentos. Ela controla bancos, plataformas de pagamentos, empresas do setor alimentício, energia, etc.

Sua principal empresa controlada é a própria JBS, líder mundial na produção de carne bovina e também de outras carnes. Mas, além dela, a J&F Investimentos também controla o Banco Original, a Eldorado Brasil, e o PicPay.

Equatorial Energia 

Um exemplo de Holding brasileira que possui grande destaque na região nordeste e norte do país é a Equatorial Energia. Como o próprio nome já permite entender, é uma empresa que atua na área energética, mais precisamente em sua distribuição, embora também gere uma boa quantidade.. 

Como atua em diversos estados dessa região, essa holding é de fundamental importância para gerenciar todas as empresas mais estaduais, por assim dizer, além de outras ramificações. Ela controla, por exemplo, a Equatorial Piauí,  a Equatorial Pará e a Sol Energia.

Tipos de holding

Após entender o que é holding e para que serve, observando os exemplos acima, é hora de entender as variações, ou melhor, alguns tipos que podem haver. Afinal, embora tenha-se tratado apenas de grandes empresas, elas também podem ser bem mais pequenas que isso, e ao invés de controlar outras empresas em si, ter o objetivo de controlar apenas o patrimônio de uma família.

No entanto, antes disso é importante também observar as classificações que as holdings possuem, dependendo de sua atuação dentro do mercado. Nesse caso elas podem ser puras ou mistas.

Pura – essa classificação é dada às holdings que simplesmente participam de outras empresas, sendo sua chefe majoritária, mas sem participar ativamente do mercado. A recém criada “Meta”, por exemplo, se encaixa nesse termo, uma vez que ela simplesmente controla, mas não participa de nenhuma atividade externa a isso.

Mista – nesse caso, embora controle outras empresas, ela também atua dentro de algum setor. Seria o caso, por exemplo, do Facebook anteriormente. Isso porque, embora controla-se outras redes sociais, como o Instagram e o Whatsapp, ela própria era uma rede social.

Holding familiar

Como já mencionado anteriormente, assim como existem as holdings relacionadas a grandes grupos empresariais, existem também a chamada holding familiar, que seguem o mesmo posicionamento das demais.

Diferentemente de empresas mãe como a Meta, que tem o objetivo de gerenciar outras empresas como o Facebook e Whatsapp, essa versão familiar objetiva fazer o gerenciamento do patrimônio de uma família.

Assim, ao invés de atuar como gestora de subsidiárias ou outras versões, seu papel como transformação de bens pertencentes a uma ou mais pessoas físicas, para um única pessoa jurídica, traz benefícios em diversas camadas.

O primeiro ponto a ser levantado é justamente esse, onde uma empresa pessoa jurídica é criada, passando a ser não apenas o gerenciador, mas o proprietário patrimonial da família.

Com isso, um dos primeiros benefícios que surgem é a redução das cargas tributárias, que são bem menores nesse caso, do que propriedades separadas. A própria gestão, e distribuição do patrimônio entre os entes também se torna muito mais prático, principalmente quando essa família possui empresas. 

Com um olhar mais geral, o patrimônio passa a ficar mais protegido, uma vez que agora é uma unidade, e com o gerenciamento correto, a utilização incorreta de algum recurso pode passar a não depender mais da decisão de uma única pessoa.

Esse é um meio prático de evitar a queda de um império familiar, que pode ter levado décadas para ser criado, mas que, em muitos casos, é destruído rapidamente, dependendo da gestão que ele receba. Isso porque as divisões dos bens, agora pertencentes à empresa, são divididos quando o criador ainda está vivo.

Isso permite que o império não seja desmembrado, e mesmo após o falecimento desse fundador, tudo possa continuar em harmonia, já que tudo o irá acontecer, inclusive a sucessão, já está pré-estabelecido.

O que é holding patrimonial

Quando se fala em holding familiar, também é comum o termo holding patrimonial. No entanto, em relação ao objetivo maior dessas derivações, não há diferenças entre esses dois termos.

Contudo, é comum que a empresa patrimonial seja mais restrita a administração do patrimônio em si, como imóveis, e mesmo tendo objetivos relacionados à sucessão e também redução de gastos, está mais para uma administradora.

Dessa forma, ela está presente dentro da holding familiar, que acaba sendo, de certo modo, mais abrangente, relacionado ao gerenciamento e participações em empresas que pertencem a família, até mesmo dentro de um grau de parentesco maior, cabendo aí primos, tios, etc.

holding financeira

Dentro desse conceito de holding geral, a holding financeira é justamente a que se adequa às empresas mencionadas anteriormente. Elas servem para gerenciar outras empresas das quais se tem controle como sócio majoritário, ou até mesmo de outras em que se participa.

Diferentemente da familiar e patrimonial, essa não envolve a proteção do patrimônio em si, mas é algo realmente ligado ao controle geracional, dentro de uma empresa que tem outros objetivos, como o seu desenvolvimento.

Percebe-se então que não é simplesmente proteger, manter, impedir que ele se acabe, mas sim buscar uma forma para gerenciar meios de expansão, crescimento, e é onde se encaixam os exemplos mencionados anteriormente.

Holding desvantagens

Como foi possível observar, uma holding consegue trazer muitos benefícios para ela e para os responsáveis por seu comando. Mas, será que são apenas benefícios que elas trazem? Quais são as desvantagens de uma holding?

Bem, quando se pensa em uma empresa mãe, é possível imaginar boa parte dos benefícios a essa cúpula. Isso porque, ao alinhar os objetivos de uma marca com os da holding em si, isso acaba sendo benéfico para ela e não para a marca controlada.

Em muitos casos, seja uma holding padrão ou familiar, não necessariamente os administradores responsáveis por ditar as regras das empresas têm o conhecimento necessário para isso. Dessa forma, o andamento da marca em si, acaba sendo comprometido.

A capacidade de gerir todas as finanças geradas pelas empresas para essa holding, e direcionar os devidos valores para seu funcionamento de cada uma delas, também não é uma tarefa tão simples, e exige um bom conhecimento financeiro. E isso é algo realmente que pode atrapalhar bastante o crescimento de uma marca em si.

O próprio alinhamento dos interesses de todas as empresas controladas, com os objetivos e metas da holding, que foi algo bastante mencionado até agora, quando feito de uma forma incorreta, também pode ser uma desvantagem.

Afinal, essa empresa mãe, ao se preocupar apenas com seus objetivos, acaba passando por cima de suas controladas. Então, principalmente quando se trata de uma holding que controla outras empresas, por ser sua sócia majoritária, os malefícios que são causados são realmente significativos.

Como abrir uma holding?

Dentro da lei, uma holding é uma empresa comum como qualquer outra. Por isso, seu processo de abertura também segue passos semelhantes. A primeira coisa que deve ser feita, na verdade, é entender quais são os objetivos dessa criação.

Esse é um passo simples, afinal, quem tem o desejo de abrir uma empresa mãe, deve ter em mente o que ela irá administrar, não é mesmo? Bem, com isso em mente, é hora de analisar realmente qual é esse patrimônio que será gerenciado. É preciso levar em consideração o patrimônio em si ou as empresas que pertencerão à nova holding.

Esse processo pode ser feito já com a sociedade definida, onde os sócios da empresa observam a necessidade de sua criação. Assim, com todos os bens que serão administrados já definidos, é hora de criar o acordo dos sócios. Afinal, eles são os controladores da holding, e têm um papel fundamental em seu gerenciamento.

O acordo irá definir todos os detalhes e divisões que a empresa mãe irá possuir, bem como também seu comando, etc. Que tipo de empresa será essa também é um ponto fundamental, observando se será uma sociedade anônima ou limitada, por exemplo. Esse fator também é acordado entre os sócios.

Por último, já é o momento de efetivamente abrir a empresa em si, nesse caso, contar com um apoio mais profissional, de uma empresa qualificada, que ofereça todas as orientações necessárias,  é um fator primordial.

O processo de abertura da empresa holding em si, vai depender de cada região do país, havendo muitas diferenciações entre elas. E isso traz novamente a necessidade de contar com um profissional ou empresa que atue nesse setor.

Conclusão

Como foi possível observar ao longo do artigo, uma holding realmente ocupa um lugar de extrema importância dentro do mercado. Afinal, são elas que ditam as regras, que fazem o gerenciamento de outras marcas e empresas.

Assim, muitas vezes sua presença acaba nem mesmo sendo percebida, principalmente nos casos de uma holding pura, que apenas controla, sem exercer nenhuma atividade a mais.

E, mesmo em casos de um holding mista, sua presença é sentida dentro do mercado, não necessariamente se tenha conhecimento de que ela é controladora de uma outra marca. De todo modo, são elas realmente que gerenciam o mercado em si, em diversos setores.

Deixe seu comentário