Você sabe o que obras como Matrix, Star Wars ou Harry Potter têm em comum? bem, além de serem franquias de sucesso, é claro, todas utilizam a chamada jornada do herói.

A jornada do herói é uma estrutura que faz parte de diversas narrativas históricas da humanidade. Sua presença marca-se pelos mais distintos períodos, seja no passado distante ou na atualidade.

Quem gosta de ler ou assistir a filmes e séries, sem dúvidas, já se deparou com pontos importantes, comuns a diversas obras.

Isso porque, quando o objetivo é narrar a aventura de um personagem, é praticamente impossível fugir dessa narrativa, ou de variações que apresentam-se.

Nesse artigo, a Visão Confiável vai tratar justamente sobre o que é a jornada do herói, e também como colocar em prática. Então, fique com a gente!

O que é a Jornada do Herói?

Embora muitas pessoas não saibam realmente o que é a jornada do herói, ela está presente em diversas obras narrativas da humanidade.

Isso porque, ela nada mais é do que uma estrutura comum, que está presente em uma grande parte das histórias atuais, e também antigas.

No cinema, por exemplo, filmes como “Jogos Vorazes”, “Matriz”, “Star Wars” ou “Harry Potter”, seguem essa chamada jornada do herói.

Em outras palavras, é uma fórmula mágica encontrada em histórias antigas, e que passou a empregar-se em muitas criações mais atuais.

Suas aplicações vão desde a criação de filmes, livros, e diversas obras similares. Até mesmo o marketing, através de seu storytelling se apoia nessa estrutura.

Vale lembrar que, embora utilize-se o termo “jornada do herói”, ela não está ligada diretamente aos super-heróis em si. Trata-se realmente da construção de um personagem principal e de sua aventura, a fim de cumprir seu objetivo.

Uma nomenclatura comum que lhe é conferida é a de monomito, uma vez que são como diversas formas de contar uma mesma lenda, apenas mudando o enredo e os personagens.

De uma forma geral, ela parte de dois pontos importantes, uma vez que é um estudo antropológico, sobre lendas, histórias, etc. Mas passou a ser também um guia para que seja possível criar novas obras, seguindo esse modelo.

Quem criou a Jornada do Herói?

Quando se trata sobre a origem e utilização da jornada do herói, é importante dar destaque a dois nomes: Joseph Campbell e Christopher Vogler.

Afinal, como já mencionado, essa jornada traz dois pontos fundamentais, sendo algo presente nas histórias antigas, e também uma estrutura aplicada nos dias atuais.

Joseph Campbell foi efetivamente o grande criador dessa estrutura, ou melhor, o grande estruturador.

Campbell era um antropólogo norte-americano, e dedicou seu tempo a estudar diversas lendas e histórias antigas.

Ele se especializou como mitologista, sendo também um influente escritor após publicar os resultados de seu trabalho.

Para se ter uma ideia, as mais diversas narrativas fizeram parte de seus estudos, como a própria história de Jesus Cristo.

Assim, Campbell pôde perceber uma estrutura comum nas mais diversas histórias, mostrando a construção do personagem.

Com isso, em 1949, ele publica sua mais importante obra, o livro “O Herói de Mil Faces”, mostrando justamente a jornada do herói.

Em sua publicação original, toda a jornada mapeada, divide-se em três partes principais, que são a partida, a iniciação e o retorno.

Cada uma dessas partes subdivide-se em 6 passos, totalizando 18 passos comuns dentro da estrutura encontrada pelo antropólogo.

O trabalho de Campbell foi realmente bastante profundo, e sua estrutura serviu de base para muitas obras que se seguiram.

Vale lembrar, porém, que a aplicação prática que deu-se a sua descoberta, se dá mais efetivamente através dos trabalhos de outros escritores.

Isso porque, por meio do estudo e divulgação do antropólogo, sua descoberta passou a ser melhor adaptada, para que pudesse aplicar-se nas produções.

E é justamente nesse ponto que entra em ação o nome de Christopher Vogler, um roteirista de Hollywood, que adaptou a obra para ser utilizada por outros escritores.

O que é a Jornada do Escritor?

Após os estudos e publicação inicial de Campbell, sua estruturação passou a ser bastante difundida.

No entanto, quando se fala em aplicações práticas de sua descoberta, é indispensável dar também os créditos a Christopher Vogler.

Vogler era um roteirista hollywoodiano, e buscou adaptar a obra original, a fim de que pudesse ser aplicado nas obras futuras.

Assim, nasce a obra “A Jornada do Escritor”, isso em 1992, narrando os passos a serem seguidos na criação de uma história do personagem.

Através dessa jornada do herói, seria possível criar uma história que efetivamente pudesse prender quem a acompanhasse.

Esse foi e ainda é a base para muitas histórias atuais, como grandes clássicos da Disney e Hollywood.

Como mencionado, “Harry Potter” e “Star Wars” são bons exemplos da aplicação dessa jornada, com seus respectivos protagonistas seguindo os passos comuns.

Vogler transformou as três partes principais da jornada do herói em 12 etapas fundamentais. São elas que basicamente definem a estrutura clássica seguida pelos protagonistas de muitas obras posteriores a sua publicação.

Além do mais, além da estrutura clássica, com a sequência correta dos doze passos, há também subversões dessa estrutura.

Assim, é possível modular essa jornada, dando mais originalidade a obra a estruturação da obra.

Quais são as etapas da Jornada do Herói?

Quando se trata da jornada do herói e de suas etapas, está se referindo aos passos que são descritos durante a construção da história do personagem.

Nesse caso, os passos mais comuns a serem seguidos são os descritos por Christopher Vogler, que fez a adaptação da obra original de Campbell.

Por isso, é comum se referir a jornada do herói como tendo 12 etapas, embora em sua estrutura inicial sejam mais.

De todo modo, para quem deseja escrever ou observar como ocorre o desenvolvimento do herói durante as obras, são as 12 etapas comuns.

As 12 etapas da Jornada do Herói

1ª etapa – o protagonista em seu mundo 

Esse é o ponto realmente inicial da jornada do herói, onde apresenta-se o personagem principal. Tudo ocorre de uma forma bastante pacata inicialmente, mostrando-se as características do herói.

2º etapa – a apresentação de uma aventura

Diante desse ambiente calmo apresentado, surge então a necessidade de que ele se aventure. Assim, algum evento ocorre, e praticamente obriga o herói a aceitar esse desafio, sendo algo fundamental para seus objetivos.

3ª etapa – o herói se recusa a seguir sua jornada

Embora seja algo imprescindível, a primeira atitude tomada dentro da jornada do herói, e escolher não seguir por esse caminho.

Afinal, embora pacata, sua vida atual é segura, estando perto de todos que realmente importam para ele. No entanto, o resultado final já é esperado, e a aventura é indispensável para sua evolução.

4ª etapa – o aparecimento do mentor do protagonista

Como último passo para que ele aceite seu desafio, surge o mentor do herói, que oferece todo o apoio necessário na jornada. Nesse período, o personagem consegue se perceber como capaz de finalizar sua aventura.

5ª etapa – o herói ultrapassa o primeiro limiar

Marca a passagem, o abandono de sua vida anterior, para entrar de vez em sua jornada.

6ª etapa – primeiras barreiras

São os primeiros obstáculos que o protagonista vai enfrentar, mostrando nesse passo suas habilidades iniciais.

É importante mostrar nesse processo inicial o lado positivo do herói, uma vez que quem o acompanha conseguirá ter ainda mais empatia por ele.

7ª etapa – período de reflexão

É um período de pausa na jornada do herói que está sendo observado, onde, após seus desafios iniciais, se pega refletindo o porquê da aventura.

Esse momento serve para fortalecer o personagem, pois ao terminar essa reflexão estará totalmente pronto para concluir seu objetivo.

8ª etapa – barreira principal

Depois de ter lutado, se questionado sobre seu real lugar na história, esse é o momento de finalmente enfrentar seu objetivo. Nesse ponto, o herói já está plenamente focado, e enfrenta seu objetivo principal, com todo o seu poder.

Por ser a jornada do herói, alcança-se sua intenção maior, fazendo jus a todo o esforço que ele passou na trajetória. Normalmente, há aqui uma experiência de morte ou quase morte realmente, transformando completamente o personagem.

9ª etapa – a recompensa pela batalha

Vencendo sua barreira principal, agora é a hora de comemorar, e finalmente pegar o que veio buscar.

10ª etapa – o retorno ao seu mundo

Com o objetivo maior concluído, resta apenas voltar para sua vida, mas agora totalmente modificado, evoluído.

Nesse processo, há ainda questões relacionadas ao que efetivamente será feito, como ele irá prosseguir agora.

11ª etapa – o ressurgimento do inimigo

Antes de finalmente terminar sua aventura, há novamente uma quebra nessa expectativa, com o inimigo voltando a atacar.

Essa é efetivamente a barreira final, e as dificuldades da jornada do herói finalizam-se com a vitória definitiva do personagem.

Aqui, ninguém mais esperava que o inimigo ainda pudesse se reerguer, mas acaba se tratando do ponto alto da jornada.

Normalmente não trata-se apenas da vida do próprio herói, mas sim do seu mundo.

12ª etapa – a chegada ao seu mundo com o elixir

Após sua aventura épica, o protagonista volta ao seu lar, como o herói que se tornou, e conseguindo cumprir com sua promessa. Seu merecido reconhecimento lhe é dado, e a história é finalmente completa.

O clímax da história na Jornada do Herói ocorre em qual etapa?

Após observar toda a narrativa da jornada do herói, é possível identificar uma estrutura realmente comum, presente nas obras atuais.

Dentro desse tipo de formato, seguir uma fórmula que sempre deu certo, acaba sendo algo muito mais vantajoso.

Exatamente por isso, é uma estruturação mais comum, mas que possui suas variações ou subversões, dando mais originalidade às obras.

Embora as etapas sejam seguidas, todo o enredo, ambientação, personagens, mundo e objetivos são alterados. Assim, o monomito é referente realmente a forma como as informações apresentam-se.

A adaptação de 12 etapas acaba sendo mais prática, realmente como um guia para quem deseja criar uma história.

Enquanto isso, a versão original trata-se de um estudo, e catalogação dos traços comuns dentro das histórias dos personagens.

Cada uma dessas etapas tem sua importância, sendo o conjunto da obra, o resultado completo, que confere a qualidade da produção. O clímax da jornada do herói, porém, ocorre da etapa 11, que é da ressurreição.

Claro, para isso, está se levando em conta a estruturação em 12 etapas, que acaba sendo o guia primordial da história.

Como foi possível perceber na explicação dessa etapa, nesse momento o protagonista já teve uma batalha contra seu inimigo, e já conseguiu pegar sua recompensa.

No entanto, em um momento de quebra da expectativa é que realmente se chega ao ponto alto da narrativa.

Nesse momento, o inimigo, já antes derrotado, ressurge, ameaçando não apenas a vida do herói, mas também a todos em sua volta, o seu mundo.

Essa quebra, somada a batalha final da jornada, marca de vez a vitória do protagonista.

De todo modo, embora a ressurreição seja o ponto principal, cada um das outras etapas tem sua importância.

Exemplo de obras com essa Jornada

Devido a sua eficiência, diversas obras atuais seguem a estrutura da jornada do herói.

É algo realmente tão comum que não necessariamente se queira seguir uma estrutura similar, mas acaba surgindo como resultado uma estrutura da jornada.

Afinal, Campbell não criou esse caminho que o protagonista segue em sua formação, mas apenas estruturou seus passos.

As lendas de Hércules ou Teseu, por exemplo, não foram criadas através dessas etapas. Mesmo assim, seguem essa estrutura.

É algo realmente que faz parte, algo comum, inerente à trajetória de um protagonista em diversas lendas e obras antigas.

Não é uma regra, mas sim pontos em comum que esses personagens apresentam em sua apresentação.

Campbell conseguiu mapear de uma forma eficaz esse processo, que foi brilhantemente adaptado por Vogler.

Assim, pode-se utilizá-la, agora de uma forma consciente na produção audiovisual, bem como também na escrita de livros, etc.

Esse segredo não necessariamente retira a originalidade da obra, uma vez que são enredos totalmente distintos.

De um modo geral, obras como “Cinderela” e “Senhor dos Anéis” nada tem haver uma com a outra. São mundos completamente diferentes, jornadas e objetivos adversos. 

No entanto, nesses dois casos, a jornada do herói se faz presente em sua construção. E ambos são conteúdos totalmente originais, e de grande sucesso mundial.

Alguns exemplos de obras, sejam livros ou um conteúdo audiovisual, que contam com as etapas dessa jornada, são:

  • Doutor Estranho;
  • Senhor dos Anéis;
  • Cinderela;
  • Eragon;
  • Harry Potter;
  • Mistborn;
  • Jogos Vorazes;
  • Matrix;
  • Homem Aranha;
  • Crepúsculo;
  • Death Note;
  • Angry Birds;
  • Rei Leão;
  • Moama;
  • Star Wars.

Esses são apenas alguns exemplos, mas muitas obras realmente seguem essas etapas.

A Jornada do Herói acaba sendo também um guia eficiente para novos escritores, que conseguem ter uma base para se aventurar nesse mundo.

Como colocar a Jornada do Herói em prática?

Ao pensar na jornada do herói, é preciso levar em consideração esse posicionamento de que não criou-se essa jornada.

Afinal, como já foi referido algumas vezes nesse artigo, trata-se de uma estruturação, estando mais para uma descoberta.

Campbell não criou a jornada, apenas catalogou, mapeou, estruturou os passos importantes, presentes nas mais diversas narrativas.

De um  modo geral, tudo isso também parte da própria realidade, com muitos traços das barreiras encontradas e vencidas cotidianamente.

E sua aplicação não se refere apenas a filmes e livros, embora seja uma maneira eficiente de se observar essa questão.

Na verdade, o próprio marketing, por exemplo, é uma área que também pode usufruir muito bem desse aprendizado. É uma fórmula que consegue empregar-se nas mais diversas situações.

Assim como o próprio storytelling, que é a forma envolvente de se contar uma história, a jornada do herói também tem sim sua utilidade dentro setor empresarial. Esse é um meio interessante de colocar em prática toda a estrutura apresentada.

A jornada do herói no marketing

Uma das aplicações práticas da jornada do herói, fora desse mundo cinematográfico e literário, é no dia a dia empresarial.

A área em que essa estrutura é muito bem encaixada, é justamente no marketing da empresa, objetivando alcançar novos clientes.

Nesse ponto, a jornada do herói é aplicada não na forma como conta-se a história, mas sim como ela é pensada, ou melhor apresentada. Mas, quem é o protagonista dessa história?

Bem, no caso do marketing, o protagonista da aventura é o próprio cliente. Afinal, é ele quem deve passar pelas “provações”, e sair do seu mundo atual, para uma transformação completa de sua vida.

Com isso, ao apresentar um produto ou serviço, seguindo esse método, é preciso pensar nos pontos principais da aventura.

Nesse caso, o objetivo não é mostrar simplesmente os diferenciais da empresa, mas sim a transformação que o cliente alcançará.

É esse o ponto que deve ser objetivado, incentivando o público a seguir sua jornada, e lograr êxito nessa transformação.

Aqui, esse objetivo pode ser o de montar uma empresa, de perder peso, de conseguir uma formação superior, etc.

Levando em consideração esse entendimento, fica muito mais fácil atingir de forma efetiva o público.

A empresa, nesse caso, será o mentor, que guiará o cliente até o seu objetivo, solucionando a questão já existente na vida do cliente.

Afinal, o potencial cliente já tende a buscar esse objetivo, sendo preciso apenas um empurrãozinho para ele seguir a jornada.

Em relação a isso, a jornada do herói pode ser aplicada também com a apresentação de casos de pessoas que já conseguiram essa transformação.

A jornada heróica no Storytelling

Ainda em sua aplicação dentro do marketing empresarial, a jornada do herói pode ser aplicada com a apresentação de outros protagonistas.

Dentro dessa mescla, junto a aplicação do próprio storytelling, que é uma forma envolvente de contar histórias, clientes anteriores são mostrados.

Contar com o relato de pessoas que já passaram pela transformação, é algo de extrema importância dentro do marketing.

Nesse caso, a jornada do herói agora deixa de ser empregada apenas no potencial cliente, e é mostrada na prática, por quem já superou suas etapas.

Outras pessoas já conseguiram a tão sonhada transformação, alcançada por meio dessa jornada.

Assim, contar com esses relatos faz toda a diferença, mostrando que é possível superar e chegar ao resultado.

A jornada do herói, dentro do marketing, é observada, então, de duas formas diferentes.

Na primeira o potencial cliente é o próprio protagonista, com todo o enredo voltado para que ele siga sua jornada, e consiga seu objetivo.

Já na segunda, esse cliente observa que outras pessoas já conseguiram superar essa aventura. Assim, ele também poderá conseguir.

A aplicação que esse entendimento sobre o marketing possui, é efetivamente muito interessante.

Afinal, trata-se do mesmo sistema que é empregado em obras do cinema e da literatura.

O mais interessante é que assim como essa estrutura consegue prender o leitor a continuar acompanhando o livro, o potencial cliente também tem sua atenção chamada pelo marketing e storytelling empregados.

Aplicações práticas na escrita

Um dos motivos para a estrutura mostrada dentro da jornada do herói ser tão abrangente, é que ela parte de questões realmente comuns.

Etapas dessa jornada são vividas cotidianamente, através da superação das barreiras que apresentam-se, e da busca pela vitória. Afinal, de um modo geral, viver não deixa de ser uma jornada.

Entender a formação da jornada do herói, por ser uma forma clássica da escrita e das obras audiovisuais, é o primeiro passo para entrar nesse mercado.

Afinal, essa é uma fórmula de bastante sucesso, e seu entendimento é uma peça chave na formação de uma história.

Mas, não necessariamente deve-se seguir todos os passos, ou essa estrutura seja uma unanimidade dentro desse processo de criação. Há também outros modos que pode-se aplicar.

De toda a forma, a jornada do herói já mostrou por diversas vezes ser um método eficiente, e um guia bastante prático para utilizar.

Seja na vida real ou para a produção de alguma história, compreender essa jornada é um passo importante a ser dado.

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